ele está lutando
para se manter perto
lutando para vocês não se afastarem
ele se conhece
e te conhece
e sabe
que quando se afastar
nunca mais
nada voltará ao normal
07/05/2018
13/04/2018
Páginas...
Oi, tudo bem ? Sou eu novamente. Podemos conversar um minuto?
Sabe, dessa vez eu não vim para brigar e nem para pedir perdão, não vim pedir explicações e nem me justificar, não vim implorar para que volte para a minha vida e nem gritar te expulsando dela, não, dessa vez não...
Sei que já fiz todos esses papéis e alguns outros do qual não me orgulho nem um pouco, mas dessa vez tudo que eu quero é um abraço. Sim, eu vim em missão de paz.Hoje eu estou aqui para dizer obrigado! Quero só que você entenda que você fará parte das minhas melhores lembranças. Tenha certeza que se, algum dia, por algum motivo, eu escrever um texto sobre a minha vida, você será um dos capítulos mais especiais.
Antigamente (bem pouco tempo atrás) eu achava que precisava odiar as pessoas que não consigo levar comigo. Sempre dava um jeito de me convencer que o que estava ficando para trás não valia a pena. Penso que era uma forma de defesa contra a dor de ter que aceitar que nesta vida nada é para sempre. Hoje aprendi que posso guardar pessoas especiais em um canto do peito, mesmo que essas por algum motivo não façam mais parte da minha vida.
Talvez nossa história tenha acontecido cedo demais e, por isso, a imaturidade tenha causado nossas feridas. O amor não suporta tanta mágoa. Então esse abraço é para lavar todo rancor. É para mostrar que da minha parte está tudo bem e que, de verdade, torço para que você seja feliz. Nada nem ninguém poderá apagar o que vivemos juntos, mas sei bem que saber reconhecer o fim é sempre o primeiro passo para o recomeço.
Desejo que você tenha a sorte de encontrar uma pessoa que te ame assim como te amei um dia e, se essa história também chegar ao fim, que deixe memórias como as nossas. O lugar onde te guardei ninguém pode tirar. Eu mesmo tentei por diversas vezes e não consegui. Mesmo consciente disso, digo com segurança: nosso capítulo fica por aqui. Estou colocando um ponto final com um abraço de final feliz.
Já é hora de escrever algo novo. Sei que vou adorar sentar para reler nossas histórias vez ou outra, e espero que faça isso de vez em quando também. Você foi uma personagem realmente incrível. Boa sorte com as próximas páginas...
26/12/2017
devir
Acordei com essa palavra na cabeça e o gosto de saudade na boca. era um sabor salgado das lágrimas que desciam pelo rosto e desaguavam no coração apertado.
me fiz pensar, então, em todas as vezes que disse tchau. as de maneira súbita, planejadas ou mesmo sem saber que estava me despedindo. pensei em como isso me afetava e em como, na maioria das vezes, era eu a ir. e, de tanto ir, não tinha tempo pra pensar em como era ficar. de tanto ir, meus medos e ansiedades eram outros. o desconhecido me esperava e era ao mesmo tempo excitante e aterrorizante. eu tinha a certeza do "para sempre" e o medo do "nunca mais", lado a lado, cruelmente, de mãos dadas.
ontem você foi e eu fiquei. e foi estranho. já havia ficado antes, mas sempre existe uma porção de surpresa quando percebo a falta de controle sobre meus sentimentos e como os sinto. ficar gera uma sensação de estabilidade, mas o simples ato de ir ricocheteia em todos ao redor e nem sempre quem fica permanece o mesmo. as dinâmicas acabam mudando, dando espaço a outras novas. no começo a gente fica um pouco confuso, o olhar bate naquele espaço vazio antes ocupado por um corpo familiar e o coração, com bom músculo que é, se contrai. e dói.
no entanto, devir é necessário. estamos todos em processos particulares e únicos, ninguém sabe lidar com tudo, não nos ensinam tudo, e no fim das contas todos estamos improvisando. o ápice de uma transformação é esclarecedor pra si e completamente incerto para o futuro. saber que estamos indo em direção a algo que almejamos é um processo diário de certezas mutáveis — afinal, não seria a vida um processo mutável?
o devir é necessário. é tempo de devir. eu olho muito para trás, não a fim de reviver todas as dores de um passado recente, mas com o simples objetivo de repensar todo meu caminho trilhado e como todas as minhas escolhas me trouxeram até aqui.
daí eu paro. bem aqui. nesse banco gelado de cimento, com as pernas balançando num ritmo insistente que te irritava e ouvindo canções aleatórias eu paro. paro e penso que essas transformações constantes doem um pouco porque elas tiram um pedaço da gente, aquela pele morta que não tem mais lugar no nosso corpo. dói um pouco no começo, mas o processo de cicatrização é lindo de se ver. são umas cicatrizes invisíveis materializadas em datas e passagens de avião e áudios de conversas e cartas e mensagens e fotos e momentos. e também naqueles presentes (dados ou recebidos) que carregam consigo um pedaço da outra pessoa.
você foi tão difícil e eu fui tão egoísta, mas é tempo de devir, o devir às vezes é necessário.
me fiz pensar, então, em todas as vezes que disse tchau. as de maneira súbita, planejadas ou mesmo sem saber que estava me despedindo. pensei em como isso me afetava e em como, na maioria das vezes, era eu a ir. e, de tanto ir, não tinha tempo pra pensar em como era ficar. de tanto ir, meus medos e ansiedades eram outros. o desconhecido me esperava e era ao mesmo tempo excitante e aterrorizante. eu tinha a certeza do "para sempre" e o medo do "nunca mais", lado a lado, cruelmente, de mãos dadas.
ontem você foi e eu fiquei. e foi estranho. já havia ficado antes, mas sempre existe uma porção de surpresa quando percebo a falta de controle sobre meus sentimentos e como os sinto. ficar gera uma sensação de estabilidade, mas o simples ato de ir ricocheteia em todos ao redor e nem sempre quem fica permanece o mesmo. as dinâmicas acabam mudando, dando espaço a outras novas. no começo a gente fica um pouco confuso, o olhar bate naquele espaço vazio antes ocupado por um corpo familiar e o coração, com bom músculo que é, se contrai. e dói.
no entanto, devir é necessário. estamos todos em processos particulares e únicos, ninguém sabe lidar com tudo, não nos ensinam tudo, e no fim das contas todos estamos improvisando. o ápice de uma transformação é esclarecedor pra si e completamente incerto para o futuro. saber que estamos indo em direção a algo que almejamos é um processo diário de certezas mutáveis — afinal, não seria a vida um processo mutável?
o devir é necessário. é tempo de devir. eu olho muito para trás, não a fim de reviver todas as dores de um passado recente, mas com o simples objetivo de repensar todo meu caminho trilhado e como todas as minhas escolhas me trouxeram até aqui.
daí eu paro. bem aqui. nesse banco gelado de cimento, com as pernas balançando num ritmo insistente que te irritava e ouvindo canções aleatórias eu paro. paro e penso que essas transformações constantes doem um pouco porque elas tiram um pedaço da gente, aquela pele morta que não tem mais lugar no nosso corpo. dói um pouco no começo, mas o processo de cicatrização é lindo de se ver. são umas cicatrizes invisíveis materializadas em datas e passagens de avião e áudios de conversas e cartas e mensagens e fotos e momentos. e também naqueles presentes (dados ou recebidos) que carregam consigo um pedaço da outra pessoa.
você foi tão difícil e eu fui tão egoísta, mas é tempo de devir, o devir às vezes é necessário.
11/12/2017
Vai! Vai! Não vai?!
vai, se você precisa ir.
vou ficar, com um bom livro e um jazz.
cuidado na estrada
e quando voltar
tranque a porta
apague a luz
e saiba que eu te amo
vou ficar, com um bom livro e um jazz.
cuidado na estrada
e quando voltar
tranque a porta
apague a luz
e saiba que eu te amo
19/08/2012
Dos 25 anos pra frente, amor é Alzheimer.
Por um momento pensar que você pensa em mim. Basta isso, mesmo com o teu silêncio, como nunca tivesse me visto, nem boas festas e feliz ano novo, poxa, que gelo baiano, mineiro, carioca, paulista, siberiano, londrino...
De que adiantou eu ter quebrado tudo e ser um monstro? Um animal precisa ser reconhecido como tal. O resto é psiquiatria, frontal, e química a serviço da vida.
Não te peço nada, sequer o protocolo das datas, feliz aniversário etc, quero apenas que, vagamente, por um momento você pense em mim e resmungue, baixinho: filho da p…, canalha, que lindo que deu tudo certo e depois tudo errado.
Por um momento pensar que você pensa em mim… Só isso interessa.
16/11/2010
Coreografias de Calçada.
Levo minha menina na calçada, pelo lado de dentro, o da parede, que é o lugar da moça no passeio público, que é o lugar que diz o status do enlace para o mais lesado dos transeuntes. Do lado de fora, a bonequinha na beira do asfalto, é amizade; do outro, como na coreografia dos meus passos: romance, namoro, amor de muito.
Levo ao cine, ao concerto de rock, ao ônibus de linha, à soveteria, às carroças com lanche americano ou aos três acordes arroz, feijão e bife - por favor, uma farofa de ovo e uma cerveja preta, please...
Não esquecer de levar também, viu, para comprar vestidos e roupas de veraneio, que prazer nada viado é aquele barulhinho da cortina dos provadores vagabundos. Levo porque levar é a grande função do bicho macho contemporâneo nesses tempos de frouxidões e covardias coloridas no atacado e no varejo.
Levo de avião ou de busão, mas sempre mantendo a classe, levo, porque o resgate do cavalheiro roots está no levar a dama na riqueza ou no pé-sujo, na cachaça ou na campanhota, no free jazz ou no bolero, levar a moça, inclusive, para conhecer as nossas contradições, talvez a mó fortuna crítica dum homem.
Levar e não esquecer dos degraus e altos e baixos da cidade, donde damos uma mão como amparo e prova inconteste do amor que sobra em todos os nossos membros... inferiores, superiores, robóticos, polvos de todos os mares trabalhando para o bem-estar, conforto e requinte da minha pequena.
Levo ao cine, ao concerto de rock, ao ônibus de linha, à soveteria, às carroças com lanche americano ou aos três acordes arroz, feijão e bife - por favor, uma farofa de ovo e uma cerveja preta, please...
Não esquecer de levar também, viu, para comprar vestidos e roupas de veraneio, que prazer nada viado é aquele barulhinho da cortina dos provadores vagabundos. Levo porque levar é a grande função do bicho macho contemporâneo nesses tempos de frouxidões e covardias coloridas no atacado e no varejo.
Levo de avião ou de busão, mas sempre mantendo a classe, levo, porque o resgate do cavalheiro roots está no levar a dama na riqueza ou no pé-sujo, na cachaça ou na campanhota, no free jazz ou no bolero, levar a moça, inclusive, para conhecer as nossas contradições, talvez a mó fortuna crítica dum homem.
Levar e não esquecer dos degraus e altos e baixos da cidade, donde damos uma mão como amparo e prova inconteste do amor que sobra em todos os nossos membros... inferiores, superiores, robóticos, polvos de todos os mares trabalhando para o bem-estar, conforto e requinte da minha pequena.
19/08/2010
A Mulher de Trinta Anos
"Entregue a si mesma, a marquesa pôde, pois, permanecer perfeitamente silenciosa em meio ao silêncio que estabelecera em volta de si, e não teve ocasião para sair do quarto forrado de tapeçarias onde falecera sua avó, e onde se recolhera para morrer suavemente, sem testemunhas, sem importunações, sem sofrer as falsas demonstrações dos egoísmos mascarados de afeição que, nas cidades, causam aos moribundos uma dupla agonia. Essa mulher tinha vinte e seis anos. Nessa idade, uma alma ainda cheia de ilusões poéticas encontra prazer em saborear a morte, quando ela se afigura benfazeja. Mas a morte é uma sedutora falaz das pessoas jovens; aproxima-se e recua, mostra-se e esconde-se; a demora desilude-as dela, a incerteza que lhes causa o amanhã termina por lançá-las de novo no mundo, onde tornarão a encontrar a dor que, mais impiedosa que a morte, há de feri-las sem fazer esperar. Ora, essa mulher que se recusava a viver ia sentir a amargura dessa demora no fundo de sua solidão, e nesta fazer, numa agonia moral que a morte não terminaria, uma terrível aprendizagem de egoísmo que devia corromper-lhe o coração e amoldá-lo à sociedade.
"BALZAC, Honoré de, 1799-1850. A Mulher de Trinta Anos (La Femme de Trente Ans), França, 1834.
"O conhecimento de diferentes literaturas é a melhor maneira de libertar um indivíduo da tirania de qualquer uma delas." - José Martí
"BALZAC, Honoré de, 1799-1850. A Mulher de Trinta Anos (La Femme de Trente Ans), França, 1834.
"O conhecimento de diferentes literaturas é a melhor maneira de libertar um indivíduo da tirania de qualquer uma delas." - José Martí
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