16/11/2010

Coreografias de Calçada.

Levo minha menina na calçada, pelo lado de dentro, o da parede, que é o lugar da moça no passeio público, que é o lugar que diz o status do enlace para o mais lesado dos transeuntes. Do lado de fora, a bonequinha na beira do asfalto, é amizade; do outro, como na coreografia dos meus passos: romance, namoro, amor de muito.

Levo ao cine, ao concerto de rock, ao ônibus de linha, à soveteria, às carroças com lanche americano ou aos três acordes arroz, feijão e bife - por favor, uma farofa de ovo e uma cerveja preta, please...

Não esquecer de levar também, viu, para comprar vestidos e roupas de veraneio, que prazer nada viado é aquele barulhinho da cortina dos provadores vagabundos. Levo porque levar é a grande função do bicho macho contemporâneo nesses tempos de frouxidões e covardias coloridas no atacado e no varejo.

Levo de avião ou de busão, mas sempre mantendo a classe, levo, porque o resgate do cavalheiro roots está no levar a dama na riqueza ou no pé-sujo, na cachaça ou na campanhota, no free jazz ou no bolero, levar a moça, inclusive, para conhecer as nossas contradições, talvez a mó fortuna crítica dum homem.

Levar e não esquecer dos degraus e altos e baixos da cidade, donde damos uma mão como amparo e prova inconteste do amor que sobra em todos os nossos membros... inferiores, superiores, robóticos, polvos de todos os mares trabalhando para o bem-estar, conforto e requinte da minha pequena.